O retorno de Alice 16/07/2011
Posted by Aleksandra Zakartchouk in Alessandra Daga, Contos de Alice, Fim de Relacionamento, Namorado.6 comments
Olá leitor! Depois de muito tempo ausente, estamos retomando as atividades do blog Alice no Divã! Alessandra Daga se inspirou e escreveu um conto de Alice. Boa leitura!
Depois de passar alguns anos em uma relação na qual passou mais da metade do tempo tentando sair dela, Alice decidiu dar um basta. Como pôde Alice ficar com uma pessoa que nunca a respeitou? Durante dois anos, os momentos de falsa felicidade a cegaram e fizeram Alice esquecer quem ela era… Portanto BASTA. Alice deu um fim.
Triste como todo o fim deve ser, Alice se cercou de ocupações, amigos, um pouco de bebida, claro, e muito, muito trabalho…Chorava às vezes, mas como qualquer pessoa que encara o luto. Procurou terapia, voltou para a ginástica e encheu a agenda de compromissos. Porém, alguns desses eventos precisaram ser desmarcados em função de um novo projeto no trabalho – 20 dias fora, trabalhando feito louca. Alice encarou!
“Que bom”, pensou Alice. Muitos dias ocupada, pensando em trabalho, sem dormir (por causa de trabalho) – ela sentiu uma estranha felicidade…
A viagem chegou. 20 dias ausente da vida que conhecia e que, agora, a deixava triste. Agora seria a vez do trabalho. Sem chorar, sem sentir saudades… Saudades do que mesmo? Alice já tinha esquecido.
Sentada no lobby do hotel, fora da cidade, Alice se questionava sobre qual seria o melhor modelo de apresentação sobre aquele assunto decisivo para a empresa… Decidiu tirar os olhos do computador e olhou para o restaurante. Havia uma garrafa de vinho em cima do balcão. Pensou em relaxar: chamou o garçom e pediu uma taça de Cabernet Sauvignon que parecia tê-la enfeitiçado. Imagine, era só vontade de beber um pouco!
Tomou uma taça e decidiu que era hora de subir para o quarto do hotel. Começou a organizar sua bolsa do computador, fechou tudo e foi para o elevador. Ah! Elevadores… Subiu até o 7º andar com um gato. Gato mesmo: loiro, olhos azuis, boca carnuda e hummm… que corpo! Sorriu e saiu. Alice, sem (tentar) se abalar, chegou ao quarto, colocou o pijama e adormeceu… Claro que não tão rápido assim.
E não é que o deus loiro estava no café pela manhã? Salão lotado, sentou ao lado dela… Conversaram durante horas… Mais do que depressa, Alice marcou um vinho no final da tarde e teve que sair correndo, pois estava bem atrasada para a reunião das 10h…
Naquela noite se encontraram. Muitas conversas, muitas risadas, decidiram repetir o programa algumas outras vezes: longas conversas no restaurante do hotel. Lá estava Alice, completamente esquecida do falecido e quase, quase apaixonada por alguém que acabou de conhecer… Naquela noite, subiram ao seu quarto… Confirmado: Alice estava apaixonada por alguém que mal conhecia – corpo de atleta, nome de artista… Depois disso era ladeira abaixo. Apesar da tempestade emocional, ela estava precisando de algo novo. Estava confusa, mas estava feliz.

Já havia se passado quase 15 dias de paixão tórrida quando decidiu tomar coragem e convidar o gato pra sair. “Quem sabe saírmos para jantar”, pensou… Ledo engano. A informação veio como uma facada no peito. Ele era casado e a esposa chegaria na noite seguinte… Alice perdeu o chão. Quanto talento para encontrar pessoas erradas e colocá-las como uma passe de mágica para dentro da sua vida. Alice chorou.
Enfim, alguns meses se passaram. Alice esqueceu aquele, do começo da história, que a fez sofrer muito durante dois anos… Não esqueceu o deus loiro, afinal se encontram até hoje. Onde isso vai parar? Ela não sabe, mas isso já é outra historia…
