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Mulher de 20 e poucos: tirando uma sonequinha… 18/10/2009

Posted by Aleksandra Zakartchouk in Crônica, Maira Costa, Paquera, Porre.
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A Maira encaminhou a primeira crônica do blog Alice no Divã que envereda por paquera, porre e dormir no ponto, literalmente. O mais gostoso do texto é a voz capricorniana dela, repleta de estratégias e planos! Enjoy!

A cronista Maira Costa

Aos 20, a gente acha que sabe tudo...

Por Maira Costa

Vinícius* é um desses homens que mexem com a imaginação das mulheres, nos fazem desejar casar e constituir uma daquelas famílias de comercial de margarina. Conheci ele quando tinha 22 anos, trabalhávamos na mesma empresa. Alto, olhos amendoados, sempre queimado de sol, braços fortes, sorriso lindo e uma bunda que encaixa direitinho num jeans tradicional – fora o fato de também ficar lindo nos seus ternos bem cortados. Além disso, ainda é um excelente profissional e um gentleman.

Em um golpe de sorte, tivemos um ferveur de uns três meses, que acabou tão subitamente quanto começou. O grand finale: sozinha e apaixonada. Ao mesmo tempo em que ficava pensando em estratégias surreais de reconquista, aproveitava o tempo livre – e a fossa – para curtir um show de blues que acontecia às quintas-feiras na Vila Mariana (São Paulo).

No começo, ia com alguns poucos amigos e acabou se formando uma turma razoável de pessoas, até que um dia quem estava no show? Vinícius. Em carne, osso e pele bronzeada. Eu tinha que fazer alguma coisa.

Pensei: “Garota! hoje é o dia internacional da atitude!”

Tratei de pensar rapidamente num plano perfeito. Eureka! É claro! Lógico! Obvio! Vou tomar todas, subir na mesa e me declarar para ele. Na melhor das hipóteses, damos uns beijinhos. Na pior das hipóteses, e daí? Eu estava bêbada mesmo. Bêbados sempre fazem essas coisas. Tratei de colocar rapidamente o plano em prática.

imagesVinícius estava sentado na ponta da mesa, eu estava do seu lado esquerdo, quase na outra ponta entre umas 20 pessoas, o que me permitia observar de longe a presa e focar no objetivo. E comecei a mandar a cevada goela abaixo, tulipa por tulipa. Ainda bem que sou uma apreciadora de cervejas – não foi nenhum sacrifício fazer isso.

Mas tive problemas na elaboração da estratégia do projeto “Fique bêbada e agarre o seu homem”. Como a estratégia foi planejada muito rapidamente – o que não me permitiu analisar todos os cenários possíveis de resultados – e num momento de nervosismo eufórico – que me deu 100% de certeza de que o plano daria 100% certo, comecei a cometer erros críticos que geraram interrupções, atrasos e retrabalho.

Falando em bom português: comecei a sentir de verdade os sintomas da cerveja – a estratégia era “parecer bêbada”, não ficar bêbada de verdade. Veio a vontade de fazer xixi freneticamente, acompanhada daquele soninho sem culpa que os bêbados sentem – e que eu sentia absurdamente todas às vezes ao voltar pra mesa.

Até que uma hora o meu organismo resolveu unir o útil xixi ao agradável soninho. Fui ao banheiro pela enésima vez e, sentada no toilette, meu olho começou a fechar e senti a minha cabeça pender para frente. Levantei a cabeça assustada e pensei – não com a minha cabeça normal, mas com a cabeça de bêbada: “acho que preciso descansar um pouco”. Vesti-me e resolvi tirar uma soneca de 5 minutos. Bingo: mais uma péssima e mal calculada idéia. Acabei dormindo de verdade.

Que vergonha

Fui encontrada mais de uma hora depois de entrar no banheiro, por dois amigos que estavam preocupadíssimos com o meu sumiço.

Voltei para casa, péssima, com dor no corpo e sóbria de tanta vergonha. “Que ódio! Esse plano era para aproximar o Vinicius, não para afastá-lo. Como vou olhar pra ele amanhã”, pensava enquanto dirigia. Cheguei em casa arrasada, olhei uma foto que eu tinha do Vinicius e resolvi que aquela seria a última vez que o veria de frente. Joguei a foto no lixo e fui dormir. Dessa vez de verdade.

Day After

Fui trabalhar no dia seguinte, imaginando o que seria de mim na hora em que ele me visse: que eu era a pior criatura do mundo, que havia agido como a pior espécie de garota da face da terra, que havia sido infantil, imatura e ainda pior, bêbada de cerveja! Quer coisa mais sem glamour que isso? Se fosse licor ou vinho, pelo menos seria bonitinha e feminina como os homens esperam.

Mas não. Tomei um porre feio e grosseiro de cerveja e ainda tirei uma pestana no banheiro como o pior dos bêbados. Parabéns!

Qual será a próxima?

Colocar o dedo no nariz no trânsito ou algo do gênero? Que horror, que horror.

Enfim, cheguei à empresa. Respirei fundo e entrei. Passei correndo por todos os departamentos e fui para a sala em que trabalhava. Ainda bem que o Vinícius trabalhava em outro andar, assim eu não precisaria encará-lo logo de manhã.

Comecei a trabalhar e a minha cabeça foi mudando de foco, até que me concentrei totalmente no trabalho e esqueci um pouco a vergonha e o que havia acontecido, até que deu meio dia em ponto e resolvi ir almoçar correndo para não correr o risco de esbarrar com o Vinícius.

Mas o destino é cruel. Ele estava parado no final do corredor e, como eu já estava saindo de bolsa, não poderia olhar para ele e voltar para trás. Respirei fundo e continuei caminhando até o fim do corredor, até chegar em Vinicius. E aí ficou claro que ele realmente estava me esperando. Droga, ele vai me dar uma bronca pelo vexame de ontem.

Cheguei bem perto, ele abre o seu melhor sorriso arrasa quarteirão. Pronto. Pior ainda. Vai tirar sarro da minha cara.

- Olá! Soube que você ficou mal ontem, é verdade? Já está tudo OK com você?

Senti meu corpo inteiro suando frio e o rosto passando rapidamente de vermelho para roxo.

- É verdade, sim, mas já estou bem, obrigada.

- Que bom que você está bem, eu fiquei preocupado. Vamos almoçar? Posso te levar para comer uma saladinha ou alguma outra coisa leve.

Fiquei olhando para ele por alguns segundos com cara de paisagem e aceitei o almoço. Fomos a um restaurante perto da empresa, comemos a salada, conversamos, voltamos para a empresa e tudo voltou ao normal. Havia me esquecido do fato de que ele era um gentleman e que faria algum esforço para que eu me sentisse bem – sinal de que gosta um pouquinho de mim.

O que aconteceu depois disso?

Nada em termos amorosos, cheguei à conclusão de que estava idealizando coisas que jamais aconteceriam. E ganhei uma saideira: somos excelentes amigos até hoje. Se rolaram uns beijinhos? Sim, com um amigo que ele apresentou e tinha tudo a ver comigo!

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